Ética e Moral x Fraude
(*) Wlademir Marques
Este mês de maio, estudantes de Administração Pública de renomada Instituição de Ensino Superior Federal concluíram a disciplina Filosofia e Ética. Além de textos mal escolhidos para as tarefas, dúvidas que não foram sanadas pelo corpo pedagógico da instituição, erros de grafia, tentativas de indução da necessidade da disciplina nos diversos campos do saber, entre outros desacertos cometidos. Não vale comentar um texto disponibilizado no ambiente e quando verificava-se, o autor distinto era. O texto correto, com título e autor, ficou livre para consulta na penúltima noite do prazo, véspera da prova escrita. Este era o cenário: Gestão da Entropia Total, um novo campo para os estudiosos da Química e da Qualidade.
Contudo, além das trapalhadas cometidas, um episódio gravíssimo quase passa despercebido. Foi determinada a elaboração de uma tarefa, exatamente uma descrição a respeito de dois conceitos expostos em apostila distribuída pelo governo federal.
O trabalho foi realizado em dupla e a única tríade formada apresentou uma tarefa com 12 laudas, fundamentada em vasta bibliografia, além da pobre apostila financiada pelo grão-ducado brasiliense.
A tarefa foi pontuada com 3,6 em um total de 10. Naturalmente, que algum engano haveria, pensaram os componentes do grupo. Ao verificarem o histórico, a responsável pela atribuição da nota justificou o baixo desempenho porque o "trabalho foi retirado da internet".
Consultadas as normas e regulamentos da instituição, fez-se o requerimento pedindo revisão de nota e a própria irresponsável, de bate-pronto, respondeu: "A nota não vai ser revista porque o trabalho foi retirado da internet", ou seja, a douta acadêmica, baseada em critérios especulativos, bem próprios da Filosofia, manteve a nota. Deveria a diligente servidora ter dado zero no trabalho e denunciado a fraude à coordenação do curso e ao órgão policial competente. Nada disso foi feito.
Resumo da ópera: O trabalho continha 79% das citações de livros impressos, devidamente referenciados. Recorreu-se à coordenação. A professora da disciplina reconheceu o equívoco da despreparada auxiliar, resultando em pedido formal de desculpas pela Coordenação do Curso, pela professora titular da disciplina, pela equipe da instituição de ensino e finalmente pela experiente-diligente-ingênua pesquisadora de internet. Contudo, a nota permaneceu a mesma. Ora, se o critério para atribuição da nota foi uma falácia, obviamente, por corolário, a nota deveria ser revista. Mas...
Então vem o pensamento: Como os futuros administradores públicos poderão implantar os conceitos de Ética e Moral Administração Pública e cobrá-los da sociedade, uma vez que os educadores responsáveis pela disseminação desses conhecimentos são os primeiros a não o respeitarem, além de não apresentarem comportamento adequado relativamente a esses conceitos? Utopia ou literatura de baixa qualidade. A nota, nesse caso, é ZERO.
Seria algo apenas para justificar os investimentos liofilizados em educação que o governo federal faz, ou como diria o editor-chefe do "Jornaleco" – Comendador Raimundo Mário Sobral: "O buraco é mais embaixo".
Necessário repensar o BRASIL, incluída nesse quadro a qualidade da educação, e a partir dessa reflexão fundamentada na realidade, com idéias exeqüíveis, reconstruí-lo.
(*) Aprendiz de escritor nas vagas horas.
P.S.: Trata-se de ficção. Quaisquer semelhanças são meras coincidências.
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