DEPUTADOS NÃO LEGISLAM?
1. O Globo de domingo destacou, em manchete de capa, que os deputados federais votam uma média diária de 18 leis, quase todas inócuas. É a pura verdade. Mas a responsabilidade principal não é dos deputados federais, mas do resíduo autoritário presente na Constituição de 1988. De início, com a introdução das Medidas Provisórias, que funcionam na prática, de forma análoga aos decretos-lei, durante o regime autoritário. E até mais grave se compararmos a quantidade de ambos.
2. A Constituição de 1988 proíbe os deputados federais ter iniciativa de lei em matéria administrativa, financeira e tributária e não podem emendar o orçamento, aumentando despesas ou corrigindo receitas. Ou seja, resta muito pouco de matéria substantiva de rotina para legislar. O orçamento é matéria de ficção. Tanto faz o que se aprove, pois o governo muda, corrige e agrega (via MP) a seu bel prazer.
3. O orçamento aprovado, seja qual for, é imediatamente contingenciado, não para ajustar os duodécimos, o que seria natural, mas para fazer depois o que quiser. Até 1964, depois do orçamento aprovado, as despesas eram empenhadas (autorizadas) pelo Tribunal de Contas, portanto, dentro da esfera do poder legislativo. Nos EUA, há, inclusive, uma comissão mista -deputados e senadores- para empenhar despesas autorizadas pelo orçamento. Nos EUA, excluindo as questões de crise internacional e de estabelecimento da ordem e do próprio orçamento, só o poder legislativo tem iniciativa de lei, seja qual for a matéria: não há restrição.
4. São estas as razões que explicam o porquê do poder legislativo no Brasil terminar legislando sobre quase nada no cotidiano de seu trabalho. Com poder, como quaisquer dos parlamentos em regimes de democracia madura, os deputados estariam legislando sobre matérias substantivas e não -principalmente- sobre o inócuo.
22 Junho 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Biblioteca - Domínio Público
- A Cartomante - Machado de Assis
- A Mão e a Luva - Machado de Assis
- Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
- A Igreja do Diabo - Machado de Assis
- A Carteira - Machado de Assis
- Dom Casmurro - Machado de Assis
- A Cartomante - Machado de Assis
- Dom Casmurro -Machado de Assis
- Dom Casmurro -Machado de Assis
- Antônio e Cleópatra - William Shakespeare
- Otelo, O Mouro de Veneza - William Shakespeare
- Conto de Inverno - William Shakespeare
- Trabalhos de Amor Perdidos - William Shakespeare
- O Mercador de Veneza - William Shakespeare
- A Tempestade - William Shakespeare
- Macbeth - William Shakespeare
- Tudo Bem Quando Termina Bem - William Shakespeare
- Sonho de Uma Noite de Verão - William Shakespeare
- A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca - William Shakespeare
- A Megera Domada - William Shakespeare
- Romeu e Julieta -William Shakespeare
- A Comédia dos Erros -William Shakespeare
- O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa
- Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
- O pastor amoroso - Fernando Pessoa
- Poesias Inéditas - Fernando Pessoa
- O Eu profundo e os outros Eus. - Fernando Pessoa
- Do Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
- Mensagem - Fernando Pessoa
- Poemas de Fernando Pessoa
- Cancioneiro - Fernando Pessoa
- Arte Poética - Aristóteles
- A Esfinge sem Segredo - Oscar Wilde
- Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões
- A Metamorfose - Franz Kafka
- A Carta - Pero Vaz de Caminha
- A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
- Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
- A Divina Comédia -Dante Alighieri
0 comentários:
Postar um comentário